domingo, 28 de dezembro de 2014

O nu, sem show-off, é o punkt

O que é lamentável, sobretudo depois da epifania do verbo (supostamente nascido há 30.000 anos, nas regiões que hoje se chamam quénia e etiópia) é a repetição. Sobretudo a repetição do Erro, da Guerra, da total ausência de empatia, da incapacidade, também metabólica, de criar. No totalitarismo em que se vive, a sociedade é tão maquinal, tão submissa ou submersa que o "surplus" do adn só se revela na jaula, no doméstico. 
E por razões "humanas": "violência física e psicológica" dentro de casa, e subserviência fora dela. À maneira do império romano, agora "actualizado" em império global, com os pastores financeiros a castrar as ovelhas paralisadas pela incapacidade de viverem, de estarem na mera sobrevivência. Incapacidade de fugir ao incêndio do sistema. Conseguir sair dele, da domus. Na domus, além dos outros, há máquinas dos outros, máquinas castradoras: os espelhos, a extropeção. É mais perigoso estar em casa que na rua. Tão pouco sei se há ruas e/ou liberdade. Se não há, é trabalho humano (re)animar o conceito da surpresa. O verdadeiro roto é o que se sujeita à rotina. A roupa, neste caso, só atrapalha. O nu, sem show-off, é o punkt.

alberto augusto miranda