quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Ovos em Setembro


Ovos em Setembro
Sob um céu cheio de lua uma mulher rubra
estende os pés desarmados pelas línguas de areia
ovos gigantes desabrochando sobre a cabeça      
fios de gema a escorrer  por meandros tangerina
Espectáculo de cascas partidas  
pelas mães aéreas da praia
estalam ao abrigo do grito sólido
crepitam no ouro puro dos universais    
o acossar mágico de ventos ascendentes
abertos por olhos lilases  
futuros presentes na vibração do verso.
Crias da carne do tempo, o transpirar de Possíveis          
um céu lúcido de asas.
Sorve-se no instante o batente do mar
mulher universal perante a qual todos somos homens
As mais belas máscaras de nuvem ergendo-se        
soltas        livres ,
granadas de sonho
promontórios de riso.
A audácia de matamorfosear os prantos  
o fogo húmido desse transe de bailarinas atlânticas
que são fogueiras no tronco da nuca      
sóis que se esfumam       em teatralidade íntima  
A mulher avança,
visão sem corpo
E as ondas recolhem os olhos que são ovos percorridos pelo céu.