quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

ilumina-te, cosmopolis!*

o calígrafo flutua pela caixa torácica
pluma de ômega, raio de olho violeta
e lábio carmesim

o ciberespaço pontuado
por pássaro hípico
marinho

sua vesícula clara
repleta de aparições
ondulatórias

rasantes, cortes, ravinas

eu, pulmonar aeronave
crivo as garras esticadas
rente ao plexo pontilhado
do sol

é lúdica a liturgia
um ser se eleva pela cosmogonia
das asas

em minha garrafa de gênio
inervada e motora:
uma espinha dorsal ramifica
em trauma etéreo

animo-a, sensitiva lâmpada.

e no plasma fundamento
da vértebra
pavônia poeta
me sopra pelos dedos:

a dor é uma neblina
táctil,
voa.


*Andréia Carvalho