sábado, 14 de janeiro de 2017

Ponto Cantado de Mu*


Vê quem te chama. Sacerdotisa de lata, pupila extravasada, ninfa brusca, gêmea de prata, cnidária. Dá-me a mão-duende, dá-me a hóstia de alga, nutritiva, plástica. Nem que me seja amarga, nem que me seja farta, nem que nela tu te partas, em plâncton, em limbo, em trovejada. Sou teu cavalo-marinho de opala, trote de jade na veia de hades. Dá-me a mão-duende. No transe que invades a carne putrefaz para que te alastres.

*Andréia Carvalho