quinta-feira, 30 de março de 2017

*a tumba constelada


a letargia dos códigos sucumbe sagrada
em alguma região onde o silêncio seria soterrado
com o adágio aos quartos sonâmbulos

cornijas, fustes, consolo glandular,
quanto do hemisfério boreal levaria?
a quantos ainda cantaria o verso na lápide?

coveiros do firmamento, choupana invernal, silvo do poente,
ostentem minha cintura com ornamentos polinizados
e um esmalte rosa como a fibra da aurora
matizando os ossos

choro de vértices
pela permanência de nossa memória
honrarei teus nomes
pela gravidez perpétua
da metempsicose

a noite irmã,
madressilva madrecita,
é o vestido de negro cetim suspenso,
adorno ilusório para as notas ciganas
que sopram
o sono vermelho dos gatos
pelos tetos,
aquelas árias que primeiro sobem a alturas
de nimbos
e depois se entortam
pelos bueiros da cidade,
espalhando aos fossos infernais
todos os segredos celestes
sequestrados das torres de marfim:
meus missais,
meus broquéis,
meus cadáveres delicados,
sempre em festa profana
de prismas.


*Andreia Carvalho