quarta-feira, 15 de março de 2017

barticínio

Pela orla tem Orlando duas tolas, tem bitola. Antes da intrusão citacional que a Jano leva o impulso comentatório, a polimudez inteirada em memes com apps de proprietários, desfolha o sonoro da erva novecentista que prossegue sem a avidez de um peixe tentando escapar à rede. Porém é exactamente hoje. O futuro, ou, sendo vates, o vaticínio, regurgita o pastado, cujo pelos nanotextos se declama passado, como se todos vivêssemos sopas com a densidade fumegada dos vegetais sujeitos a varinha.

Vai pelos clérigos um homem em busca do al-gharb carregado com um saco de batatas da póvoa. É muito noite quando deflagra o noitálogo: “Onde é a camioneta?”. As luzes de comércio trabalham a sucção de uma lógica contentável na borla dos estandos. Na loja das massagens, estão os membros grelados pela competição manual. Fecha os olhos quem do próprio corpo se esgueira. E a queda da palavra pura reúne consenso sensorial para a fuga.

Da borda, um café imenso e forte, os mortos sofrem de surtos impressionistas: são levados a uma posição em redundância posta, seja: uma suposição. O instantâneo – isto é: a não-continuidade – alberga as fantasias do falo, as falácias. Brota no corpo o pânico muito antes do almejado fim. Em memória e ciência, o fim é um rigoroso início. A ausência de Eros, manifesta-se na ganância dos Meios. E circundando o Mesmo se levanta forte a Mesmorra onde se instalam deste mundo todos os C'egos.

alberto augusto miranda