domingo, 12 de março de 2017

*no livro dos mortos vermelhos

PARANOICO de infinito,
atento à demonologia interior,
o servo de um diário niilista confabula:
é fácil observar o comportamento das bestas
e seguir o oposto
para o caminho da redenção
mas e a besta, no espelho do homem,
poderá se redimir?
não mais, enquanto, porém:
o coração, esta máquina de apontar blasfêmias alheias,
faz o julgamento egípcio
enrubescer
avermelhado como um serrote
na polpa de um algodoeiro
seu drama dadaísta
avança sobre os bestiários
como um inflado balão
branco e volátil
no improviso do final dos tempos


*Andréia Carvalho Gavita