sábado, 3 de junho de 2017

Diário Ceibe - 0

Cena 1

Manuel Robalo – Desculpe não estar a corresponder à sua estética.
Joana Nunes – Você está psicopata. Eu não tenho estética.
Manuel Robalo – Porém apresenta-a. Referia-me aos seus membros de andar.
Joana Nunes – Você anda a trabalhar muito. Diria o mesmo de uma vaca?
Manuel Robalo – Da cara aos pés, você está condenada ao vício da aparência. Nunca deixou aquele rapaz da primária, o Marco.
Antónia Maria – Qual Marco?
Manuel Robalo – O Marco Ting.

Cena 2

Carla Severa – Foste ao calçado?
Lídia Carneiro – Quem vem do solar preocupa-se com a sola.
Carla Severa – Em teu cortelho, calças-te? Pões sola? Estás em solidão?
Lídia Carneiro – Fiz como tu. O cão levou-me. Deixei-me ficar. Embora tenha visto o pastor. Mas ver não altera nada. Deixei entrar a paisagem. Queria acrescentar-me. Fui ovelha em modo de cabra.
Teresa de Castro – Como primas! Nunca gostei da artrite que saca as batatas. Tens competência. Chupa o osso ao barro. No artesanal fim, a carne é para vender. Rompe a fétula, inscreve-te no micro-clima. E olha o céu: o teu loft é uma estrela decadente.
Manecas Dias – Procuro o banho. Nunca soube porque chamavam re-banho aos que não se lavavam. Nunca soube porque haveria donos das termas, dos termos. Ainda trabalhei na pergunta: “como gramar a vossa gramática?”. De forma messiânica, emigravam os milhos, os milhentos.

Cena 3

Vitor Monteiro – Paradinhos, andávamos. Dentro da rede, a imensa orgia não contemplava o desejo. Para tal acontecimento, a nossa retórica consistia na incapacidade de atualizar os ascendentes.
Moira Andrade - Todos nós citávamos, tínhamos-nos tornado Citáceos.
Nuno Teixeira - Uma espécie de cardume policial: meter na rede os refratários, sementar plantas azedas.
Jana Estrela - A doçura tem muito sal. Nem sei, na morfologia, de quantos amorfos se faz um pastel de neta. A procriação é uma pro-atividade? Entre os cimentos que me reduzem e os bisnaus órfãos de ninho, insere-se em meu palato a bílis do encarregado. Antes fôra esparregado, um mar de verduras, uma Leonor.
Mário da Amareleja – Aqui, nos Lares, servem-me sempre tisanas de televisão. Parece Veneza. É só canais.
Francisco Diogo – Ide e diminui-vos. Passais a vida em dedos de replicação. Não aproveitais as unhas. Uma unha não castrada jamais esquece a mãe.
Sociobeta Sabugal - A mãe é como o desporto, transformou-se em SAD. O negócio é um poliplex em vários continentes, um camembert de pagãos. Não pago. Nenhum encontro pode ser repetido.
Agente informático – Faço parte do plano de despejo biológico. Levo-vos de tec-tec a todo o lado, para se porem a pau, para se porem a par.
Joaninha Literária – Nunca conseguiste deixar a meta dos emparelhados, era a fase 4: passar das rimas aos rumos.
Giovanni Calabrese – Vou ali! Estou utópico!


aam