domingo, 23 de julho de 2017

Os meninos já estão a dormir?

Rute Flanela - Os meninos já estão a dormir?
Lisarda App – Sim, tenho pena que não vivam.
Rute Flanela – Este livro que trouxeste o ano passado é o melhor do século 21. Está escrito com muito detox e herbalife, com o molho apurado da gastronomia aramaica. Só um génio e, claro, um conhecedor do terreno, poderia fazer tal mistura entre as vezes e as fezes. Ainda por cima, desde que entraste na obsessão da reciclagem, é o único livro que temos em casa. Porque é que o trouxeste?
Lisandra App – Não sei, recomendações talvez. Nestes últimos meses tenho pensado muito sobre esse meu acto.
Rute Flanela – Reparei nisso na mesinha de cabeceira, versículos bíblicos e xanax. Em vez de louro na comida, é na cabeça, coroa divina.
José d'aritmética - Deus não, sempre fui adeus. No vosso vocabulário, ateu
Lisandra App – Meu irmão, sempre soube que comigo comungavas dos E.Ts.
José d'aritmética - Cálculo errado, minha irmã. Também sou ETeu.
Rute Flanela – Se o meu apelido se variar em Seda, quiçá possas deslizar até a uma energia concludente. Aqui tens o tecido.
Lisandra App – Agradeço a tua epifania. Estou agora mais confiante. Sei, de fonte seca ou de fonte secura, que o que me levou a este excesso de carregar o livro, foi a caligrafia. É encorpada e, embora se notem as influências Areal e Liberation Sans Serif, não deixa de fora a Times New Roman e a Calibri. É uma cal e grafia própria das alterações climáticas. Derrete-se sempre que é lida. Enfim, é uma escrita atual, com malware de origem literariamente auto-destrutiva. Uma defesa necessária contra as veleidades do leitor.
Rute Flanela – Canálise, minha app, minha irmã!


Poma Fidiró