terça-feira, 4 de julho de 2017

*Semiótica do selfie


Desobedecer as linhas de Lineu, tornando sêmen a lágrima rosada. Cozinhar o sangue botânico da princesa junto ao orvalho colhido da penugem-pasto do unicórnio, besta máscula dos herbanários. Trocar, depois, os rótulos no armário da cozinha coletiva. Recitar um idioma de fogo inclassificável, o dos fornos primitivos, de magna resistência, na etapa da etiquetagem. Homogeneizar veneno e vacina nas fotografias dos frascos. Registrar-se rótulo de gêmula e pigmento no atestado de pureza dos vasos contaminantes. Carimbar-se elixir de fusíveis na ilusão andrógina dos minerais, em suas películas de espícula e espólio. Tentar a fórmula luz de aurora fervida na árvore genealógica, cabala materializada. Acreditar que a camada descritiva dos unguentos é goma-laca na língua do vidro, tingindo de glifos hermafroditas o artefato rarefeito. Dizer, futuramente, que o preparo da imagem nunca foi ornamental.


Andreia Carvalho